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A building that reflects me, by Luísa Gonçalves Colaço – Head of mkt & comm

2024

[Text in Portuguese]

No exercício de olhar para um edifício e tentar rever o meu próprio eu, fui dar a várias referências nas quais podia encontrar pontos que me descreviam. No entanto, de todas elas, foi na arquitetura inigualável de Zaha Hadid que encontrei o meu heterónimo.

Photography © Luke Hayes

Photography © Luke Hayes

Numa casa construída em Londres, a arquiteta e a sua equipa, desenharam um edifício que, apesar de enquadrado e ajustado ao seu contexto, foge à traça dos edifícios que a vizinham e, sem medos, assume a sua originalidade. Ao olharmos a sua fachada, conseguimos fazer uma leitura uniforme da sua relação com a envolvente, respeitando tudo aquilo que já existe. Mas, ainda assim, está vincado o seu propósito de provocar disrupção e de trazer algo novo ao local onde se ergue.

E é ao percorrermos o seu interior que se torna ainda mais evidente a expressão desta casa, que revejo em mim: acolhedora, em muitos pontos clássica, conservadora e até óbvia, mas que é rasgada por um arrojo e uma audácia que vem de dentro e que muitas vezes são inesperados (especialmente para a própria).

 

 

Photography © Luke Hayes

E como nesta obra, às vezes a harmonia entre a audácia e o expectável, entra em conflito, tornando um deles demasiado evidente sem que o equilíbrio seja conseguido. E se no caso deste edifício há uma intencionalidade neste movimento, nem sempre em mim isso é desejado.

Em todos nós há opostos que se combatem e versões de nós próprios que gostávamos de conciliar, mas nem sempre o controlamos. Mas é neste ajuste, que vou encontrando a minha originalidade. Espero um dia conseguir fazê-lo com a mesma maestria que Zaha Hadid desenhou este edifício.

 

 

 

 

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