A building that reflects me with Catarina Martins
13.11.2023
In the complexity of the question directed at the ‘self’, the building that best describes me reflects the robustness that unites us as a species, in the presence of all trades, evils, and virtues. Three buildings come to mind in my architect’s heart, but they are united by one important factor: a simple exterior, where the light inside surprises you.
And isn’t it the same for all of us? Plato already describes in his Allegory of the Cave that Man’s understanding comes from breaking the chains that confine our thoughts, leaving a rough and harsh cave for the colorful and rational outside world—illuminated. Man understands shadow as a consequence of light, and this observation is as physical as it is philosophical.
The architect enters, and a new path of discovery is traced, where man does not leave a cave but enters a space clouded by creative thought and construction techniques rooted in the time of his action. Man pierces the building with his walk, and ‘there’ he sees the light.
Man himself is a space to be discovered. How different is the experience of knowing each other—and ourselves—from the experience brought about by a building that shows itself in its external morphology but reveals itself in its inner light?
The modulation of space and ‘non-space’, the mastery of sensations and the almost molecular ingenuity of the plasticity of light make the product of this discipline a great form of poetry, which in its experience few words can match.
If architecture is light and discovery, architecture is you and me.





Um edifício que me reflete com Catarina Martins
Na complexidade da pergunta direcionada ao ‘eu’, o edifício que melhor me descreveria vai de encontro à robutez que nos une enquanto espécie, na presença de todos os ofícios, malefícios e virtudes. Foram três os edifícios que o meu coração de arquiteta me traz à mente, mas um fator importante que os une: um invólucro simples, onde no interior a luz surpreende.
E não é assim com todos nós? Já Platão descreve na sua Alegoria da Caverna que o entendimento do Homem se faz na quebra dos grilhões que nos confinam o pensamento, que sai de uma caverna rude e dura para o exterior colorido e racional – iluminado. O Homem entende a sombra como uma consequência da luz, e esta constatação é tão física como filosófica.
Entra o arquiteto, e gera-se o traçar de um novo caminho da descoberta, onde o Homem não sai de uma caverna e sim entra num espaço toldado pelo pensamento criativo e técnicas construtivas cravadas no tempo da sua ação. O Homem perfura o edifício com seu caminhar, e ‘aí’ vê a luz.
O Homem, em si, é um espaço por descobrir. Quão diferente é a experiência de nos conhecermos uns aos outros – e a nós mesmos -, da experiência trazida por um edifício que se mostra na sua morfologia externa, mas se revela na sua luz interior?
A modulação do espaço e do ‘não espaço’, a maestrização de sensações e o engenho quase molecular da plasticidade da luz fazem do produto desta disciplina poder ser uma grande forma de poesia, que na sua experiência poucas palavras estão à sua altura.


