David Rockefeller and Corporate Art Collections

Opinion article (portuguese version)
July 2020 -
01 01

David Rockefeller and corporate art

Opinion article by Paulo Jervell, in Dinheiro Vivo.

*Text in Portuguese
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David Rockefeller e a arte corporativa

David Rockefeller, famoso banqueiro e filantropo nova-iorquino, foi uma incontornável figura do século passado. Com um desempenho notável nos assuntos financeiros globais e na política externa do seu país, a sua influência foi enorme e fez-se notar não apenas nos corredores de Washington, mas também em diversas capitais do mundo, chegando a ser recebido com honras de chefe de estado. As suas capacidades foram reconhecidas às mais altas instâncias, com os presidentes Carter e Nixon a convidarem-no para assumir a pasta de Secretário do Tesouro. David declinou, contudo, ambos os convites.

Mas a minha referência a David Rockefeller surge por uma outra razão. Em 1959, enquanto presidente do Chase Manhattan Bank, David estabeleceu um programa de arte corporativa para o banco e iniciou a aquisição de obras de arte. Ao fazê-lo, foi considerado o precursor das coleções corporativas e um modelo a seguir por empresas de todo o mundo - apesar das primeiras referências a coleções corporativas remontarem ao banco Monte dei Paschi, em 1472.
Nos primeiros tempos, as obras de arte eram adquiridas pelas empresas consoante o gosto pessoal do seu presidente. Era esse o critério. Porém, com o passar dos anos e o crescente interesse gerado em torno das coleções corporativas, estas vieram a revelar-se importantes ferramentas de comunicação de marca e o seu foco virou-se para clientes e colaboradores.

Hoje, a arte é entendida como uma extensão da própria identidade corporativa, que materializa e reflete os valores da marca e a forma como a empresa quer ser vista. O curador, conselheiro, assume aqui um importante papel, ao definir métodos e critérios que vão ao encontro das necessidades e expetativas das empresas e permitem criar pontes com o meio artístico.

Com efeito, o legado preconizado por David Rockefeller na integração da arte com a arquitetura de novos edifícios inspira-nos ainda na construção dos espaços de trabalho atuais. A complementaridade que surge entre a arquitetura e a curadoria de arte é reveladora da enorme mais valia existente em preparar os espaços, à priori, para receber as obras e criar o ambiente e destaque certos para cada peça, dentro do conceito global do espaço.

A arte é, inclusivamente, tida como um bom investimento num mercado que, segundo a Forbes, cresceu 154% desde 2003 para números próximos dos 66 biliões de dólares. Os escritórios da KPMG e da PHC, em Portugal, ou do Standard Bank, em Angola, são já referências nesta área, que tem registado um crescimento e uma consolidação contínua.

Com as tendências atuais a apontarem para a otimização da produtividade, da criatividade e do bem-estar dos colaboradores, a arte corporativa surge cada vez mais como um catalisador de todas estas tendências, que deve ser tido em conta nas estratégias dos locais de trabalho de hoje e do futuro.

Photo © Eddie Hausner/The New York Times