Rita Piçarra, in Jornal Económico: "Caring begins long before the clinical act"
07.07.2026
In a new opinion piece for Jornal Económico, Rita Piçarra, architect at Openbook and lead on several of the group’s healthcare projects, reflects on what hospital architecture is really for. Her argument: a hospital cannot be only a “machine for treating”, but must be a living ecosystem that welcomes, orients and reassures everyone who passes through it, patients, visitors and professionals alike.
A place that welcomes, before it treats
Piçarra starts with the word itself. “Hospital” comes from the Latin hospitalis, meaning welcome, hospitality, shelter for those arriving vulnerable. Before any clinical act, she argues, a hospital is a place that receives; how it embraces, orients, lights and organises waiting is already part of caring for people.
Hospitals as living organisms
She describes hospitals as organisms with their own idiosyncrasies, evolving across three intertwined layers: the social life of the building, shaped by each institution’s culture and routines; the operational life, made of flows and patterns specific to that building; and the physical and technical life, its “material biography” of rapid technology cycles, refurbishments and expanding services. Good architecture, she writes, is architecture that can absorb this constant change without compromising safety or function, through slack, support spaces and buffer zones rather than rigid control.
Measuring what numbers cannot capture
For Piçarra, hospital performance can no longer be judged on efficiency and capacity alone. Perceived stress, fatigue, spatial orientation, privacy, noise, light, travel time and the quality of human encounters are equally part of the equation, for patients and for the teams who care for them. Natural light and access to green outdoor spaces, she notes, play a recognised role in patient recovery and staff wellbeing.
From Setúbal to Porto
The piece draws on projects Openbook has developed for the healthcare sector, including Hospital da Luz Setúbal, the Vila Real unit and the new 46,000 sqm hospital currently in development for Porto. Across all of them, Piçarra says the starting question has been the same: how will this space make the people who live in it every day feel?
“Caring begins long before the clinical act.”
Rita Piçarra, Principal Architect
Architecture’s role in healthcare, Piçarra concludes, has shifted from designing buildings to interpreting behaviour and anticipating needs, balancing operational efficiency, technological innovation and humanity.
Read Rita Piçarra’s full opinion piece on Jornal Económico.
Rita Piçarra, no Jornal Económico: «Cuidar começa muito antes do acto clínico»
Num novo artigo de opinião publicado no Jornal Económico, a nossa colega Rita Piçarra, arquitecta principal na Openbook e responsável por vários dos projectos de saúde do grupo, reflecte sobre o que está verdadeiramente em causa na arquitectura hospitalar. A ideia central: um hospital não pode ser apenas uma “máquina de tratar”, mas antes um ecossistema vivo, que precisa de acolher, orientar e tranquilizar todos os que por ali passam, doentes, visitantes e profissionais.
Um lugar que acolhe, antes de tratar
A própria palavra “hospital” é o ponto de partida. Vem do latim hospitalis, que significa acolhimento, hospitalidade, abrigo de quem chega vulnerável. Antes do acto clínico, defende Rita Piçarra, o hospital é um lugar que recebe; a forma como abraça, orienta, ilumina e organiza a espera já faz parte do cuidar.
Hospitais como organismos vivos
Rita Piçarra descreve os hospitais como organismos com idiossincrasias próprias, que evoluem em três níveis: a vida social do edifício, moldada pela cultura e pelas rotinas de cada instituição; a vida operacional, feita de fluxos e padrões específicos daquele espaço; e a vida física e técnica, a sua biografia material, marcada por ciclos rápidos de tecnologia, remodelações e expansão de serviços. Para a autora, a boa arquitectura é a que consegue absorver esta variação constante sem comprometer a segurança nem o funcionamento, através de folgas, espaços de apoio e zonas tampão, e não de controlos rígidos.
Medir o que os números não captam
Para Rita Piçarra, o desempenho de um hospital já não se mede apenas pela eficiência e pela capacidade. O stress percebido, a fadiga, a orientação espacial, a privacidade, o ruído, a luz, o tempo de deslocação e a qualidade do encontro humano fazem também parte da equação, tanto para os doentes como para as equipas que cuidam deles. A luz natural e o contacto com espaços verdes exteriores, nota, têm um papel reconhecido na recuperação dos doentes e no bem-estar de quem trabalha.
De Setúbal ao Porto
O artigo cruza esta reflexão com projectos que a Openbook tem desenvolvido para o sector da saúde, entre os quais o Hospital da Luz Setúbal, a unidade de Vila Real e o novo hospital de 46.000 metros quadrados que está a ser desenvolvido para o Porto. Em todos eles, escreve Rita Piçarra, a pergunta de partida foi sempre a mesma: como é que este espaço vai fazer sentir quem o vive todos os dias?
«Cuidar começa muito antes do acto clínico.»
Rita Piçarra, Arquitecta Principal
Para a autora, o papel da arquitectura na saúde deixou de ser apenas desenhar edifícios; é hoje interpretar comportamentos, antecipar necessidades e equilibrar eficiência operacional, inovação tecnológica e humanidade.
Leia o artigo de opinião completo de Rita Piçarra no Jornal Económico.